Possível local de queda do bólido de Minas Gerais

HISTÓRICO

Dia 01/11/2016 a Exoss recebeu os primeiros relatos de um grande meteoro (bólido) no céu de Minas Gerais e a partir disso fez o primeiro chamado para testemunhas do evento acessarem a página bolido.exoss.org e cadastrarem o que presenciaram para melhor entendimento do que acontecera.

Desde então este evento se tornou o segundo maior já catalogado na ferramenta REPORT FIREBALL com 58 testemunhas no Brasil, empatando com o número de relatos do superbólido do Rio de Janeiro em outubro de 2015.

Até o momento não há registros em fotos ou vídeos do evento. O vídeo que circulou nas redes sociais era meramente informativo com relação a suas características como coloração. Tal evento na verdade ocorreu em 30 de julho de 2015 visível em países da América do Sul e Santa Catarina, Brasil. Erroneamente tal vídeo foi catalogado como verídico quanto ao evento de Minas Gerais e replicado em diversas páginas e relatos em mídias sociais.

Com os relatos recebidos foi possível obter algumas informações superficiais sobre esse meteoro. A seguir algumas informações a respeito.

A quantidade total de relatos efetuados na ferramenta mantida em parceria com a AMS-Sociedade Americana de Meteoros e IMO-Organização Internacional de Meteoros foi de 58 relatos, segundo maior já registrado no Brasil.

testemunhas
O evento contou com um dos principais critérios para melhor qualificação dos dados que é uma boa dispersão de testemunhas em volta do ponto onde ocorreu a passagem do meteoro, pois se tivermos relatos agrupados em apenas uma região os dados ficam comprometidos. A quantidade de relatos foi crucial para a obtenção de uma trajetória que, embora seja baseada em relatos visuais de pessoas em sua maioria sem muito conhecimento astronômico, sua quantidade elevada equilibrou tais parâmetros e a obtenção de uma trajetória básica foi possível.

principal-regiao-dos-relatos

ANÁLISE DOS RELATOS

A maior incidência de testemunhas que ouviram o boom sônico foi próxima a trajetória do meteoro, entre as cidades de Governador Valadares e Guanhães o que corrobora com a trajetória básica do mesmo.

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Abaixo segue a perspectiva baseada em relatos da passagem do meteoro vista da cidade com maior número de testemunhas: Guanhães. O ponto inicial e final de entrada na atmosfera se assemelha ao da simulação segundo as testemunhas.

perspectiva-guanhaes

O meteoro foi visto às 21:31h hora local, por testemunhas situadas nas seguintes cidades: Aramirim de Açucena, Araçuari, Belo Horizonte, Belo Oriente, Cantagalo, Caratinga, Contagem, Diamantina, Divino das Laranjeiras, Divinolândia de Minas, Farias, Francisco Sá, Gouveia, Governador Valadares, Guanhães, Inimutaba, Ipatinga, Janaúba, Januária, Malacacheta, Montes Claros, Paquetá, Pompéu, Sabinópolis, Santa Efigênia, Santa Tereza, Sapucaia de Guanhães, Turmalina, Viçosa, Virginópolis e Virgolândia.

O meteoro entrou na atmosfera da terra a uma altitude de 80km e se apagou a apenas 27,9km de altitude e seu ângulo de entrada foi de aproximadamente 45º. Importante salientar que a perspectiva sobre o evento varia de acordo com cada testemunha, isso chama-se paralaxe e é explicado no vídeo institucional da Exoss “Como funciona o monitoramento de meteoros”.

  • A magnitude estimada* com base nos relatos foi entre -12 e -15; a lua cheia possui -12 de magnitude.
  • A distância percorria foi de aproximadamente 75km em 4 segundos.*
  • Isso equivale a 67.500 km/h*

*Dados básicos baseado em relatos, suscetível a uma margem de erro considerável.

A região provável de queda de eventual meteorito está entre as cidades de Açucena e Braúnas. O ponto de impacto geométrico bem como trajetórias iniciais e finais foram:

Trajetória inicial

  • Latitude          -18.460987210094
  • Longitude        -42.482503678886

Trajetória final

  • Latitude          -18.929068369187
  • Longitude        -42.593700020677

Ponto de impacto (geométrico)

  • Latitude          -19.180657000115
  • Longitude        -42.650321714694

possivel-regiao-de-quedaO possível local de queda de um meteorito se dará antes do impacto geométrico uma vez que diversos fatores como temperatura, pressão atmosférica e ventos devem ser levados em consideração.

Os dados deste evento estão disponíveis através do KML para visualização e estudo utilizando o software Google Earth neste link.

Embora os dados obtidos não podem ser considerados como precisos, este é um bom direcionamento para que eventuais meteoritos possam ser recuperados, pois o boom sônico ouvido pelas testemunhas logo abaixo da trajetória do meteoro é um indicativo de possibilidade de queda de meteorito.

A Exoss agradece o empenho do jornal online ACONTECEU NO VALE pelas publicações de chamamento de testemunhas que foram compartilhados em mídias sociais e contribuiu de forma elementar para que tal evento alcançasse grande repercussão na população das cidades na trajetória do meteoro. Nosso agradecimento a todas as testemunhas que dedicaram atenção ao relato do evento, contribuindo nos estudos do fenônemo.

Nosso compromisso é orientar e disseminar a cultura de relatos de meteoros no país, fortalecendo a participação do cidadão na ciência, tendo avistamentos com maior nível de experiência e assim os relatos terem cada vez mais qualidade e com isso obter-se parâmetros cada vez melhores.

A Exoss desaconselha qualquer tipo de comercialização de meteorito e solicita que qualquer eventual material recuperado seja encaminhado ao Museu Nacional do Rio de Janeiro que é a entidade de pesquisa oficial no País para análise.

Entre em contato: Museu Nacional/Setor de Meteorítica – Telefone (21)2562-6975

Os jornais da região também divulgaram a análise dos relatos:

Edição e plotagens Google Earth: Eduardo P. Santiago

Revisão: Marcelo De Cicco

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