Cometa Chury: material orgânico anterior ao nosso sistema solar?

A sonda espacial Rosetta descobriu uma grande quantidade de material orgânico no núcleo da comutação ‘Chury’. Em um artigo publicado pelo MNRAS em 31 de agosto de 2017, dois pesquisadores franceses avançam a teoria de que esse assunto tem sua origem no espaço interestelar e é anterior ao nascimento do sistema solar.

COMETA 67P
O núcleo da cometa 67P Churyumov-Gerasimenko (“Chury”), visto pela sonda espacial europeia Rosetta. Crédito: © ESA

MISSÃO ROSETTA DA ESA

A missão Rosetta da ESA, que terminou em setembro de 2016, descobriu que a matéria orgânica constituía 40% (em massa) do núcleo da cometa 67P Churyumov-Gerasimenko, também conhecido como Chury. Os compostos orgânicos, que combinam carbono, hidrogênio, nitrogênio e oxigênio, constituem blocos de vida na Terra. No entanto, de acordo com Jean-Loup Bertaux e Rosine Lallement – do Laboratoire Atmosphères, Milieux, Observations Spatiales (CNRS / UPMC / Université de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines) e o departamento de Galáxias, Étoiles, Física e Instrumentação de Paris Observatório de Paris / CNRS / Université Paris Diderot), respectivamente – essas moléculas orgânicas foram produzidas no espaço interestelar, bem antes da formação do Sistema Solar. Bertaux e Lallement afirmaram ainda que os astrônomos já estão familiarizados com grande parte desse assunto.

ANÁLISE DE ESPECTROS ESTELARES

Durante 70 anos, os cientistas sabiam que a análise de espectros estelares indica absorções desconhecidas, ao longo do espaço interestelar, em comprimentos de onda específicos chamados bandas interestelares difusas (DIBs). Os DIBs são atribuídos a moléculas orgânicas complexas que o astrofísico norte-americano Theodore Snow acredita que pode constituir o maior reservatório conhecido de matéria orgânicano universo. Este material orgânico interestelar é geralmente encontrado nas mesmas proporções. No entanto, nuvens muito densas de matéria como nebulosas presolares são exceções. No meio dessas nebulosas, onde a matéria é ainda mais densa, as absorções de DIB são planas ou mesmo caem. Isso ocorre porque as moléculas orgânicas responsáveis ​​por DIBs juntam-se lá. A matéria acumulada absorve menos radiação do que quando flutuava livremente no espaço.

Essas nebulosas primitivas acabam se contraindo para formar um sistema solar como o nosso, com planetas e cometas. A missão de Rosetta nos ensinou que a forma de núcleos de cometa, por acréscimo suave de grãos, foi progressivamente maior em tamanho. Primeiramente, partículas pequenas se juntam em grãos maiores. Estes, por sua vez, se combinam em pedaços maiores, e assim por diante, até formarem um núcleo de cometas de alguns quilômetros de largura.
Assim, as moléculas orgânicas que anteriormente povoaram as nebulosas primitivas – e que são responsáveis ​​por DIBs – provavelmente não foram destruídas, mas sim incorporadas nos grãos que compõem núcleos cometários. E lá permaneceram por 4,6 bilhões de anos. Uma missão de retorno de amostra permitiria a análise laboratorial de material orgânico cometário e, finalmente, revelaria a identidade da misteriosa matéria interestelar subjacente às linhas de absorção observadas em espectros estelares.

Se as moléculas orgânicas cometárias foram realmente produzidas no espaço interestelar – e se eles desempenharam um papel no surgimento da vida em nosso planeta, como acreditam os cientistas hoje – pode não ter vida semeada em muitos outros planetas da nossa galáxia?

ESTUDO BRASILEIRO DO COMETA CHURY

O pesquisador brasileiro do Observatório Nacional, Pedro Henrique Hasselmann, publicou também o artigo: O efeito da oposição de 67P / Churyumov-Gerasimenko em imagens de Rosetta pós-periélio, trabalho desenvolvido em conjunto com outros pesquisadores, com imagens das sondas OSIRIS e Rosetta em alta resolução do cometa 67P / Churyumov-Gerasimenko adquiridas na noite de 9 a 10 de outubro de 2016, mostrando o comportamento fotométrico, comparando com os resultados do pré-periélio.

Com informações de Phys.org e Pedro Henrique Hasselmann

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