Um possível espetáculo celeste esta semana nos céus do Brasil

Quem gosta de ver estrelas cadentes talvez já esteja acostumado a ouvir falar das chuvas de meteoros como Perseids, Taurids, Orionids e até mesmo as Draconids, mas a Alpha Monocerotids (chuveiro IAU 246, AMO) não está nem perto de ser tão conhecida como estas outras, porém, essa chuva um tanto quanto desconhecida pode nos surpreender e este ano ela ser mais ativa do que qualquer uma das chuvas de meteoros conhecidas.

Conforme a previsão do cientista de meteoros, Peter Jenniskens, do Instituto SETI em parceria com a NASA, que atua no monitoramento dos céus do planeta registrando meteoros, liderando o renomado projeto CAMS, indica boas chances de uma intensa e brusca atividade de meteoros num curto espaço de tempo, entre a madrugada do dia 21 para o dia 22 de novembro, deste ano.

O fato inusitado decorre  que as chuvas normalmente produzem médias de até dezenas de “estrelas cadentes” por hora, durante a época de pico, mas, de vez em quando, nosso planeta pode atravessar  uma nuvem densa de detritos deixados por passagens antigas de cometas e dependendo da densidade e quantidade dessa nuvem de detritos pode ocorrer o chamado “outburst” ou hiperatividade momentânea de fluxo de meteoros penetrando em nossa atmosfera, produzindo centenas de meteoros por hora, ou, até mesmo, uma verdadeira tempestade de meteoros, quando se dá uma contagem acima de mil meteoros por hora.

Leia também: Peter Jenniskens explica a pesquisa de cometas de longo período

Assim, o recente estudo liderado por Peter Jenniskens e seu colaborador Esko Lyytinen revendo a posição dinâmica dos trilhos de detritos deixados pelo corpo parental (ainda desconhecido) da Alpha Monocerotids, aponta para uma boa chance de ocorrência de uma hiperatividade (“outburst”) ou “explosão” de vida curta, quando são esperados  centenas de meteoros por hora. Espera-se que o máximo dessa chuva ocorra numa janela de cerca 15 minutos apenas, terminando por completo em até 40 minutos quando então cessará  o esperado “outburst”.

Será possível ver em todo o Brasil?

Por sorte, esta chuva poderá ser observada por habitantes de nosso Pais que serão privilegiados pela posição do radiante desta chuva nos céus austrais, conforme demonstram os mapas estelares para as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. A previsão é que essa “explosão” de meteoros ocorra por volta das 04:50 UTC, ou 1:50 da madrugada do dia 22 de novembro (horário de Brasília).

NORDESTE-01
SUDESTE-01
CENTRO-OESTE-01
sul-01
NORTE-01
As taxas  previstas vão de cerca de 100 a 400 meteoros horários. As circunstâncias astronômicas repetem a mesma configuração do outburst de 1995, quando a taxa zenital horária chegou ao pico de 400 meteoros/hora, mas dependendo de onde a Terra atravessa o túnel de detritos,e se for na parte central, poderemos ter taxas zenitais horárias, como as registradas em 1925 e 1935 de cerca de mil meteoros! Caso o outburst ocorra, talvez seja o mais intenso observado até agora, neste século.

Ainda desconhecemos a origem parental da chuva Alpha Monocerotids, porém estudos de astrodinâmica apontam para um cometa do tipo  longo período, estimando-se 500 anos o seu circuito completo em torno do Sol. O radiante dessa chuva fica na constelação que a chuva leva o nome, Monoceros, e é fácil de localizá-la, pois está bem perto da estrela Procyon, da constelação de Cão Menor. Os meteoros serão moderadamente brilhantes, a maioria terá o brilho das estrelas Polaris e Deneb, com base em um encontro passado em 1995.

EXOSS na Campanha Internacional de Observação

O projeto EXOSS que participa da rede de monitoramento CAMS – NASA/SETI, desde 2017, estará ativamente colaborando na observação deste potencial fenômeno, através da campanha internacional de observação deste outburst, liderado por Peter Jenniskens e coordenado no Brasil por Marcelo De Cicco.

Basta olhar na direção do Leste, nascer do Sol, para o alto  e curtir esse esperado fenômeno!

Recomendamos estar atentos a partir das 1:15 (4:15 UTC) da manhã, horário de Brasília. Dessa vez a Lua, em fase crescente não ira atrapalhar a observação dessa chuva.

Edição: Marcelo De Cicco

Imagens: Diego de Bastiani

Com informações de Seti Institute e CNET
Referências: Jenniskens P. and Lyytinen E. (2019a). “Alpha Monocerotids 2019”. CBET 4692. D. W. E. Green (ed.), IAU, Central Bureau for Electronic Telegrams, pp 1-1.

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