Uma nova chuva nos céus do hemisfério Sul?

Uma pesquisa realizada pelo Dr. Peter Jenniskens do Instituto SETI em conjunto com o astrônomo Esko Lyytinen aponta uma possível atividade não usual de meteoros para o dia 28/07, às 21h e 22 minutos, horário de Brasília, na direção da constelação de Columba, no Hemisfério Sul.

Mas o que queremos dizer com não usual?

É que a atividade prevista desta chuva de meteoros esta ligada ao cometa C/2015 D4, mais conhecido como cometa Borisov, descoberto em 23 de fevereiro de 2015, por um astrônomo amador cujo sobrenome o batiza.

 

Figura 1: Astrônomo amador ucraniano com seus dois telescópios em uma típica montagem e cobertura de fácil manuseio,  Gennady Borisov.  Ele vive em Naunchniy, perto do Observatório da Criméia na Ucrânia, descobriu o cometa C/2013 N4 em 8 de julho. Ele é mostrado aqui com seus dois telescópios.

Dados orbitais do Borisov

De acordo com os dados orbitais do cometa, ele é classificado como do tipo de longo período, quer dizer tem um período orbital maior que 200 anos, pois leva aproximadamente 700 anos para dar uma volta completa em torno do Sol.

Sua orbita se estende bem além do planeta-anão Plutão(para fins comparativos o semi-eixo maior de Plutão tem o valor de 39.5 U.A., enquanto que o cometa tem semi-eixo maior acima de 78 U.A, ou seja, quase duas vezes maior!). Atualmente o cometa esta a cerca de 10 UA do Sol, um pouco além de Saturno, se dirigindo as profundezas longínquas de nosso Sistema Solar. Veja no gráfico abaixo o diagrama orbital do C/2015 D4 em 3D:

 

Diagrama orbital do cometa Borisov. Clique na imagem para animação

Cooperação observacional com a NASA/SETI

Em uma reunião sobre esse assunto que o coordenador do projeto Exoss Marcelo De Cicco teve com o Dr. Peter Jeninskens (orientador no projeto FDL NASA/SETI em defesa planetária, para detecção de cometas de longo período que possam gerar chuvas) trata-se de uma oportunidade rara de se observar meteoros e compara-los com um cometa, cuja orbita já conhecemos de antemão. Qualquer observação de meteoros ligados ao Borisov representará valiosa informação para o estudo de meteoros originados de cometas do tipo longo período, particularmente ao presente desenvolvimento do projeto FDL NASA.

A Terra irá passar a cerca de 0.0006 UA (cerca de 90.000 quilômetros) do centro da trilha de detritos deixadas pela passagem do cometa na época de seu periélio. A posição da chuva tem a coordenada equatorial de AR = 79 graus (05h: 15min) e Dec = – 32 graus, o que posiciona seu radiante na região da constelação de Columba e a duração dessa chuva é estimada em torno de no máximo 2 horas, com pico centrado no dia 29 de julho às 00h22min UT (ou dia 28/07/17, às 21:22 horario de Brasília).

Mas, infelizmente, o pico previsto da entrada de meteoros (28 de julho às 21h22min, data e tempo já convertidos para hora de Brasília) será bem antes do nascimento do radiante, em cima de nosso território, portanto é pequena a probabilidade de que nos céus de nosso país tenhamos chance de observar a referida chuva.

 

Foto da região do céu onde o cometa foi descoberto.

 

A previsão de Esko Lyytinen aponta a maior possibilidade de ocorrência nos céus da África do Sul. Vale mencionar que o erro de calculo da hora do pico da chuva [é de 10 minutos para mais ou para menos]. Outro inconveniente é que a constelação onde se situa o radiante do cometa Borisov é muito próxima do Sol, tornando muito difícil sua observação visual.

Mesmo assim o projeto Exoss em colaboração com Dr Peter Jenninskens estará realizando observações por videomonitoramento da potencial chuva, na data mencionada acima, objetivando contribuir com o estudo de chuvas e novos radiantes.

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