OMCJN amplia cobertura de câmeras para estudos de meteoros

OMCJN

No dia 13 de julho o observatório municipal de Campinas – Jean Nicolini passou por um upgrade em seus sistemas de detecção de meteoros que compõem a rede Exoss.

Foram ativadas 4 novas câmeras que a partir de então integraram-se ao banco de dados nacional bem como sistema de transmissão ao vivo de capturas live.exoss.org. Agora moradores da região da mesma maneira que em qualquer parte do país poderão acessar um volume maior de registros na rede Exoss, um salto quantitativo e acima de tudo qualitativo, pois junto com esse upgrade está a inclusão de câmeras padronizadas pela rede que estão se mostrando adequadas ao Brasil.

A iniciativa do astrônomo Júlio Lobo, que trabalha há 40 anos no observatório, iniciou-se em janeiro de 2017 com a aquisição dos equipamentos necessários. A sua implantação juntamente com a integração ao banco de dados estava aguardando melhorias técnicas do sistema de internet do local, gentilmente realizado pela administração municipal.

EQUIPE DE SUPORTE EXOSS EM AÇÃO

Para a estruturação do local, instalação dos equipamentos e calibração dos mesmos foi necessário um mutirão de associados Exoss.

Estiveram presentes para ativação das 4 novas câmeras os associados:

  • Júlio Lobo, astrônomo e mantenedor das câmeras sediadas no observatório municipal Jean Nicolini em Campinas/SP.
  • Leonardo Froes, associado Exoss com uma câmera na cidade de Campinas/SP.
  • Welton Jesus, associado Exoss com 4 câmeras na cidade de Itu/SP.
  • Suzanne C. de Paula, associada Exoss com uma câmera na cidade de São José dos Campos/SP.
  • Eduardo P. Santiago, associado Exoss com 4 câmeras na cidade de São Sebastião/SP
CENTRAL DE OPERAÇÕES
Astrônomo Júlio Lobo acompanhando registros da noite anterior

Os associados puderam com o projeto de expansão de câmeras no observatório colocar em prática técnicas de manutenção e suporte a qualquer câmera da rede; um verdadeiro laboratório de aprendizado e troca de experiências entre os participantes.

O trabalho de instalação e configuração das 4 novas câmeras se desenvolveram conforme o planejado pela equipe e após a primeira noite (primeira luz*) de atividades e registros já foi possível observar os resultados positivos da inserção de novas câmeras.

meteoros registrados omcjn
Balanço dos registros realizados em Julho de 2017**

Embora nem todas as câmeras operem ao longo do mês é possível se fazer um balanço pelo número de noites úteis em que cada equipamento coletou dados, logo é possível a obtenção de parâmetros mais adequados para a comparação de desempenho dos equipamentos instalados.

ANÁLISE DOS DADOS REGISTRADOS

Gráfico 01: Balanço de capturas X Noites úteis (Correta operação e céu limpo)

 

Gráfico 02: Balanço de capturas das 4 novas câmeras em um período de 30 dias de efetiva operação

Com esses gráficos é possível destacar alguns pontos.

O observatório possuí 3 modelos de câmeras distintas em operação:

1 – SAMSUNG SCB-2000, um modelo que entrou em operação no país no final de 2013 e que já se mostrou obsoleta para a qualidade dos estudos que a Exoss atualmente conduz, sua substituição por um modelo padronizado se iniciou em 2015.

2 – Exosscam geração 1, modelo fruto de pesquisa e desenvolvimento da Exoss desde 2015 em prol de uma qualificação dos dados de astrometria, visando padronização da rede cujo desenvolvimento surgiu da necessidade de substituição a dois modelos anteriores VE-6047EF cuja aquisição é um processo burocrático e impeditivo para muitos associados assim com a câmera PY-SH361 que já está fora de comercialização no país.

mais de 1000 meteoros
Composição de meteoros registrados entre os dias 14 de julho a 01 de agosto em apenas uma câmera; cerca de 900 capturas foram selecionadas para essa composição, eliminando as que possuíam muita nuvem.

3 – Exosscam geração 2, modelo mais atual e em expansão na rede que confere um desempenho superior a geração 1. Tal modelo alcançou a impressionante marca de mais de 1000 meteoros em uma única câmera em apenas 17 noites de registros, um marco para a Exoss e demonstra que o novo equipamento adquirido para padronização da rede fornecerá uma base ímpar em qualidade dos registros para análises.

O processo de substituição das câmeras do observatório é gradativo e depende de novos investimentos para o planejamento de ativar mais 4 Exosscam Gen2 até janeiro de 2018.

O céu de Campinas se tornou um dos locais mais atrativos para os estudos de meteoros no Brasil após iniciativas como essa.

A Exoss agradece a todos os associados que cederam seu tempo e se dispuseram a colaborar em prol de uma instituição pública.

Em um momento onde todas as esferas públicas no país passam por cortes e dificuldades orçamentárias, a efetiva colaboração de astrônomos amadores e apaixonados por astronomia em prol das instituições é crucial para a sustentabilidade de suas atividades.

Diversos jornais repercutiram a nova fase do OMCJN, dentre eles:

* O termo “primeira luz” (first light) é utilizado para se referir aos primeiros dados obtidos de um determinado equipamento em sua inauguração.

** Os registros correspondem ao período de 31 dias de capturas para as câmeras 1 e 2 enquanto as câmeras 3 a 6 um período menor de 17 dias.

Texto: Eduardo P. Santiago e Eline Santiago

Imagens: Leonardo Froes, Suzanne C. de Paula e Welton Jesus

Referências: live.exoss.org

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