Chuva de meteoros Orionídeas

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Figura meramente ilustrativa mostrando a região do céu que dá origem as Orionídeas

INTRODUÇÃO

A chuva de meteoros denominada como Orionídeas  (nomenclatura IAU 008 ORI), é originada dos detritos deixados pelas passagens periódicas do Cometa Halley 1P, a cada ~75 anos em torno do Sol.  A cada ano a Terra atravessa duas vezes esses detritos, em outubro é quando ocorre esse segundo encontro produzindo a chuva (nosso planeta fica, então, aproximadamente 0.16 UA da órbita do cometa).

HISTÓRICO

Em 1839, o matemático e astrônomo Quetelet, já listava um considerável aumento de atividade de meteoros em meados de outubro. Observações independentes de E.C.Herrick(1839, 1840) também reportavam aumento de contagem no nível de atividade nesse mesmo periodo, mas nada conclusivo (Lindbad & Porubcan, 1999).

Porém a primeira medição de radiante das Orionídeas foi pelo músico e astrônomo A.Herschel em 1864 e 1865. Nas décadas seguintes, numerosas medições foram envidadas, seguindo intenso debate na literatura afim de identificar se o radiante era estacionário ou não e se haveria múltiplos radiantes. Até que observações de Olivier, Dole, McIntosh e Prentice demonstraram conclusivamente que o radiante move-se na direção da ascenção reta (AR), após intenso estudo e levantamento de principais chuvas de meteoros  E. Hoffmeister, em 1948,  definiu com precisão a posição de um único radiante centrada em AR = 93.5° e DEC = 15.9°.

ATIVIDADE DA CHUVA PARA O ANO DE 2015

Tradicionalmente o pico da chuva Orionídeas é no dia 21 de outubro, conforme previsão da IMO, e para este ano, o pico poderá ser entre 21/22 de outubro. Portanto fique atento nas madrugadas de 21 e 22 de outubro, quando a lua crescente estará se pondo em torno de 03hs da manhã, tempo local no horário de verão brasileiro, o que trará condições razoáveis para a observação desse máximo, pois o radiante da chuva está próximo ao equador celeste, propiciando elevação no céu favorável à observação do máximo da chuva.

É importante salientar que em anos passados essa chuva apresentou notáveis picos extemporâneos de atividades intensas (outbursts), principalmente entre os anos de 2006-2009, como foi o caso do pico de 2006, identificado pelo trabalho de Sato e Watanabe (2007) que associou a restos  ejetados do cometa Halley, das épocas 1264, 1196 e 911 AC (Antes de Cristo).

Apresenta uma taxa média de 10 meteoros por hora e no seu máximo 15-20 meteoros hora. A velocidade geocêntrica de entrada apresentada pela Orionídeas é em torno de 66 km/sec.

Pesquisas apontam que esses máximos possuem periodicidade aproximada de 12 anos. Assim,  é provável que o período de 2014 a 2016, a chuva se mostre mais fraca. Submáximos podem ocorrer durante a chuva, principalmente nos período de 17-18 de outubro a cada ano.

Essa chuva pode apresentar bólidos, com o foi o caso do bólido Myzyniec.(Olech et al., 2013), de magnitude -14.7, capturado em imagens pela rede Polonesa de bólidos (Polish Fireball Network – PFN) considerado um dos meteoros de maior altura já registrados, H ~168 Km (em geral, a altura de queima inicia-se por volta de 120-139 km de altura)

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Bólido Orionideo “Myszyniec” capturado pela rede polonesa PFN, em 19 de outubro de 2012, por uma câmera AllSky; os trillhos tracejados são uma composição de frames intercalados de imagens. Fonte: Wisniewsk, M. & Zoladek, P. IMC, Proceedings, Poznan, 2013, pág. 107

QUADRO DE PARAMETROS DA CHUVA

Referências:
AMS American Meteor Society
IMO International Meteor Organization
IAU International Astronomical Union
Lindbad & Porubcan, 1999
Olech et al. AA, 557, A89 (2013) 
Sato, M. & Watanabe J. Publ. Astron. Soc. Japan 59, L21-L24, 2007.

Edição: Marcelo De Cicco Animação: Diego di Bastiani

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