Asteroides serão novos alvos de missões da Nasa

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Duas espaçonaves estão programadas para desvendar novos enigmas da formação do Sistema Solar. As naves robóticas Lucy e Psyche, ambas programadas respectivamente para partirem ao espaço em 2021 e 2023. Consideradas de baixo custo são gerenciadas pela Divisão de Ciência Planetária da NASA (Agência Espacial Americana) e Pelo Programa de Missões Planetárias do Marshall Space Flight Center em Huntsville, Alabama. A NASA também utilizará versões mais recentes dos instrumentos científicos utilizados nas missões New Horizon e OSIRIS-REX e parte do pessoal especializado que participou destas missões.

Lucy, que nos faz lembrar do fóssil do hominídeo de 3,2 milhões de anos, o mais antigo a andar ereto, foi um nome escolhido não por acaso. Vai explorar os asteroides troianos de Júpiter cuja composição remete ao material primordial que formou os planetas exteriores do Sistema Solar. Esses corpos são como “fósseis” e estudá-los nos dará a oportunidade de revolucionar a compreensão das nossas origens. Esses asteroides formam dois grandes aglomerados que compartilham a órbita do planeta Júpiter presos a sua gravidade. São objetos densos que possivelmente se formaram muito além da órbita atual de Júpiter, por isso, podem conter informações preciosas sobre o início da formação do Sistema Solar.

Fonte: Concepção artística – NASA

Os asteroides troianos estão localizados nos pontos Lagrangianos na mesma órbita de Júpiter 60º adiante e 60º atrás do planeta. Eles acompanham o planeta em sua órbita ao redor do Sol e o objetivo da Lucy é visitar 6 (seis) desses corpos para estudar sua composição, massa e propriedades físicas. Lucy é a sétima missão do Programa Discovery da NASA na qual Lockheed Martin participou e os engenheiros vão se basear no design da nave espacial OSIRIS-REx, atualmente a caminho de um asteroide próximo da Terra, para minimizar custos e aumentar a confiabilidade da missão.

Psyche irá explorar um dos objetos mais intrigantes do Cinturão de Asteróides chamado 16 Psyche que mede cerca de 210 Km de diâmetro e é composto por ferro e níquel-ferro. Sua composição é a mesma do núcleo do nosso planeta e esse detalhe sugere que, provavelmente, esse objeto se trata do núcleo de um plotoplaneta do tamanho de Marte que existiu nos primórdios da formação do sistema solar, mas perdeu sua massa exterior devido a várias colisões violentas ocorridas a bilhões de anos.

O Asteróide 16 Psyche foi descoberto em 1852 pelo astrônomo italiano Annibale de Gasparis, que o chamou de deusa da alma na mitologia grega antiga. Sua órbita está localizada na parte externa do cinturão de asteróides principal, a uma distância média do Sol de 3 unidades astronômicas (AU). Possui formato irregular de aproximadamente 279 x 232 x 189 km e sua densidade deve estar em torno de 7.000 kg / m³ composto de ferro e níquel-ferro. Será a primeira vez que um mundo feito de metal será explorado, daí a grande expectativa dos cientistas.

Fonte: Concepção artística – NASA

Psyche pode nos ajudar a entender como é propriamente dito, o núcleo da Terra uma vez que não podemos vê-lo diretamente, bem como o de outros planetas rochosos. Os cientistas ainda argumentam que planetas rochosos como o nosso são compostos por um núcleo metálico com tamanho menor que o manto intermediário e a crosta rochosa. Assim, estudar o Psyche será uma forma de poder examinar diretamente, o possível núcleo de um protoplaneta que sofreu impactos violentos a ponto de perder seu manto e crosta rochosa. Caso essa ideia não se confirme, estaremos diante de um novo enigma, ou seja, se não for confirmado que Psyche é o núcleo de um protoplaneta então deverá ter sido formado por algum processo ainda desconhecido.

Os instrumentos científicos que serão usados na espaçonave são:

  • Multispectral Imager.
  • Gamma Ray and Neutron Spectrometer.
  • Magnetometer.
  • X-band Gravity Science Investigation.

A missão Psyche também irá testar uma nova tecnologia de comunicação sofisticada a laser chamada Deep Space Optical Communication (DSOC). Ela codifica dados em fótons (em vez de ondas de rádio). Essa nova forma de comunicação entre uma sonda no espaço profundo e a Terra permitirá que a nave espacial envie mais dados em uma determinada quantidade de tempo. A equipe responsável por essa nova tecnologia está baseada no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

Imagem mostrando a possível fragmentação e exposição do núcleo de um protoplaneta disponível em: https://sese.asu.edu/research/psyche

A missão será liderada pela Arizona State University, enquanto o Laboratório de propulsão a jato da NASA será responsável pelo gerenciamento, operações e navegação da missão. A Espaçonave terá propulsão solar e será construída pela Space Systems Loral. O objetivo desta missão é entender como os planetas se formaram e, se confirmado que Psyche é o núcleo de um protoplaneta, ainda será possível avaliar como ocorre o processo de acréscimo de matéria que formam os planetas rochosos.

Edição: Marcelo Mozer

Referências:

https://www.nasa.gov/press-release/nasa-selects-two-missions-to-explore-the-early-solar-system
https://www.nasa.gov/mission_pages/psyche/overview/index.html
http://news.lockheedmartin.com/2017-01-05-Lockheed-Martin-to-Build-NASAs-Lucy-Spacecraft-a-Mission-to-Trojan-Asteroids
http://www.astro.iag.usp.br/~picazzio/aga292/Notasdeaula/asteroides292.pdf
https://sese.asu.edu/research/psyche

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