Série: Astroblemas no Brasil – crateras de impacto brasileiras – MG e SP

Continuando a Série: Astroblemas no Brasil – crateras de impacto brasileiras, as crateras de Aimóres,  Piratininga e Praia Grande são as últimas das pesquisadas.

  • Aimorés – Existe grande indício de que o impacto do meteorito tenha provocado, nessa região, o desvio do curso original do Rio Doce.

Coordenadas: 19°26’15″S   41°03’45″W;

Localização: divisa do Espírito Santo e Minas Gerais;

Diâmetro: 9,6 Km;

Idade: Desconhecida;

Morfologia: Análises geomórficas e fotografias registradas por satélites revelam a existência da cratera. No local já se vê uma pequena cobertura vegetal, embora seja bastante perceptível o deslocamento de uma grande massa de terra provocado pelo impacto.  Há um grande indício de que o impacto do meteorito tenha provocado, nessa região, o desvio do curso original do Rio Doce.

  • Piratininga

Coordenadas: 22 ° 30’S e 49 ° 10’W;

Localização: Estado de São Paulo;

Diâmetro: 12 km;

Idade: Cretácea;

Morfologia: A estrutura está em estágio avançado de erosão, gradientes topográficos de até 130m entre a borda e seu centro. Esta estrutura compreende dados de magnetismo aerotransportado e perfil sísmico. Os resultados permitiram o reconhecimento da estrutura em características geofísicas subterrâneas que são semelhantes aos observados em crateras de impacto, mas ainda não são suficientes para comprovar se foi esse mesmo o motivo da cratera, serão ainda necessários mais estudos para demonstrar sua origem por choque.

Feições de impacto: Marcada pelo contraste litológico formando uma cunha achatada;  falhas normais bem delimitadas na porção leste da estrutura, formando terraços, além de falhas menores no setor oeste,  interrupção das camadas litológicas da porção leste até o centro da estrutura e  verticalização das camadas próximas ao centro da estrutura. Tais feições observadas estão entre as principais características estruturais relacionadas a crateras de impacto em perfis sísmicos de reflexão.

  • Praia Grande: Coberto por 1,4 km de água e 4 km de estratos sedimentares mais jovens, tendo sido encontrados por dados sísmicos 3D durante os levantamentos de exploração de petróleo.

Coordenadas: 25º39’S / 45º37’W;

Localização: Santos, estado de São Paulo;

Diâmetro: 20 km;

Idade: – Santoniano 85,8– 83,5 Ma

Morfologia: Possui alto estrutural no centro da cratera, um sinclinal de anel adjacente e externamente várias falhas normais listricas circulares concêntricas. Estrutura bem preservada da erosão. A estrutura de Praia Grande, no entanto, é o primeiro exemplo brasileiro de impacto em bacias de margem continental e é apenas o segundo caso no mundo identificado por imageamento sísmico 3D.

Feições de impacto: Os critérios diagnósticos para identificação de estruturas de impacto abrangem aspectos geométricos, geofísicos, geoquímicos e de metamorfismo de choque. Estes últimos são considerados os critérios decisivos, dados que ocorrem sob um campo de pressões extremamente altas que é exclusivo dos impactos de corpos em hipervelocidade. Por isso, ainda que a assinatura sísmica da estrutura estudada seja perfeitamente compatível com a geometria esperada para uma estrutura de impacto, a origem por choque é assumida ainda como a hipótese mais provável, pois aguarda comprovação pela identificação futura de feições de metamorfismo de choque de formações planares do quartzo e cones de estilhaçamento.

Na série de crateras que publicaremos, os nomes para você acompanhar todos os posts:

COMPROVADAS:

Considerações Finais

O estudo das Crateras de Impacto Meteorídicas é de grande importância, pois esta diretamente relacionado a evolução das formas de vida existente no nosso planeta, além disso as Crateras representam um registro parcial da evolução da superfície da Terra.

Elas possuem  ecossistemas  muito diversificados do  existente  ao seu redor. Dentre todos os eventos naturais que podem causar perturbações localizadas dos ecossistemas  os eventos de impacto são únicos pois  tem origem extraterrestre capaz de interromper um ecossistema localmente no espaço e no tempo.

No Brasil geólogos e estudiosos se esforçam para encontrar as respostas para muitos dos questionamentos relativos à origem, formação, e morfologia das crateras, bem como  elucidar a seqüência cronológica das mudança nos locais de impactos  de interesse ecológico. Há também o desejo de preservar o ambiente em questão através da conscientização de sua importância.

Muitas propostas estão sendo elaboradas para o tombamento desses locais como patrimônios naturais, o  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) estuda transformar a Serra da Cangalha, no município de Campos Lindos, no Tocantins, em patrimônio nacional, e a cratera de Araguainha, na divisa Goiás-Mato Grosso está com estudos de recomendação de tombamento adiantados.

No futuro esses locais podem se transformar em verdadeiros museus a céu aberto para o ensino de ciências,  geologia e astronomia, gerando dessa forma mais conhecimentos específicos como já acontece nos Estados Unidos e na Alemanha.

Referencias:

Evidências morfo-estruturais e petrográficas de crateramento por impacto. In: Anais XLII Congresso Brasileiro de Geologia, 2004, Araxá (MG) / A estrutura oval de Aimorés (MG) Hachiro, J.; Velásquez, V.F. (2004)

Caracterização geofísica da estrutura de Piratininga – SP (Brasil) – 10th International Congress of the Brazilian Geophysical Society & EXPOGEF 2007, Rio deJaneiro, Brazil, 19-23 November 2007 – Rogério Amaro Machado, Carlos Roberto de Souza Filho, Rodrigo de Souza Portugal DGRN, Instituto de Geociências, Unicamp

 Identification of an impact structure in the Upper Cretaceous of the Santos Basin in 3D seismic reflection data / Gustavo Alberto Correia | Jorge Rui Corrêa de Menezes | Gilmar Vital Bueno Edmundo Julio Jung Marques Geoci. Petrobras, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 123-127, nov. 2004/maio 2005 127 –  Imagens  Google Earth Aimores / Leonardo 0086 / Gilberto Rodrigues

Edição: Amanda Martins

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