Resultados da Ferramenta Relato de Meteoros 2016 – PARTE 1

Atividades desenvolvidas pela rede e participação da população através dos relatos e divulgação foram importantes para o aprimoramento da ferramenta

O ano de 2016 foi bastante desafiador quanto à divulgação da ferramenta de relatos de bólidos/meteoros pela Exoss. Com um resultado expressivo já em seu primeiro semestre de atuação na ferramenta (ver histórico aqui e aqui), não era de se esperar menos para o ano de 2016.

Para alcançar o maior número possível de pessoas e fazê-las conhecer e usar regularmente a ferramenta, a Exoss não poupou esforços e consolidou novas parcerias que foram fundamentais para alcançarmos a participação dos “cidadãos cientistas do dia a dia”.

  • Como explicar a elas o fenômeno e os estudos possíveis quando um evento ocorre?
  • Como permitir que elas colaborem?
  • Como fomentar a curiosidade pelo tema e o “olhar constante para o céu” criando o hábito de uso da ferramenta?

Essas foram questões que refletimos ao final de 2015 e cujas respostas definiram nossa estratégia para atuar com a divulgação neste ano que se findou. A seguir uma série de resultados obtidos através desta ferramenta.

Brasil continua em destaque pelo volume de relatos no hemisfério sul terrestre, participação da Austrália também é destaque e aumenta a colaboração nesta região – clique para ampliar

 

Relatos de meteoros com participação Brasileira desde 2015; eventos cuja participação envolveu relatos do Brasil e países vizinhos foram considerados (Evento 1642-2015)

Integrado à ferramenta de relatos de bólidos AMS/IMO, temos um histórico de evolução de relatos de meteoros no país. Este gráfico não contempla sessões de observações realizadas através do formulário padrão onde membros associados a IMO realizam a coleta de dados; este será abordado posteriormente. O gráfico reflete os relatos vinculados à ferramenta e são valores absolutos baseados no banco de dados da AMS.

Relatos de meteoros com participação Brasileira desde 2004: eventos retroativos através da ferramenta estão contabilizados

Com a disponibilização de uma versão em português o uso da ferramenta se tornou mais disseminado e, portanto, o aumento é substancial em relação aos anos anteriores.

Abaixo temos um gráfico onde podemos acompanhar em CINZA a tendência de meses com maior quantidade relatos no país, nos anos de 2015-2016.  Salientamos que fatores meteorológicos e a própria disseminação do uso da ferramenta influenciam o gráfico a curto prazo, sendo necessário alguns anos para uma consolidação destes dados.

Relatos de meteoros anos 2015 e 2016

Países com mais de 50 relatos em 2016 e sua proporção em relação ao número de habitantes por país

Com 79% dos relatos de 2016 os americanos que já conhecem a ferramenta há anos estão presentes em cada evento de bólido que ocorrem no céu americano. A França e Canadá com uma colaboração respectiva de 5,3% e 5,1%, Reino Unido contribuindo com 2,4% dos relatos, Holanda 1,5% e o Brasil na 6ª posição em 2016; com uma modesta participação mundial de 1%, porém expressiva dado o pouco tempo (18 meses) de atividade desenvolvidas pela Exoss.

Para se ter uma noção de como é a participação mundial a imagem abaixo mostra os eventos de bólidos com no mínimo 500 pessoas contribuindo com relatos, são surpreendentes os números.

Em um único evento quase mil pessoas colaboraram fornecendo dados, volume maior que toda a participação do Reino Unido e Holanda juntos em todo o ano de 2016.

Eventos com mais de 500 relatos em 2016

 

 Evento 340-2016 contou com a colaboração de 969 testemunhas

Os desafios em divulgar e fazer com que as pessoas criem o hábito de usar a ferramenta continua, conhecemos as limitações impostas pela realidade Brasileira e isso nos motiva cada vez mais a superar esses desafios.

A Exoss entrevistou um dos desenvolvedores da ferramenta para saber mais sobre o ano de 2016. Para Vincent Perlerin, um dos desenvolvedores da ferramenta de relatos de bólidos utilizadas pela AMS, IMO e EXOSS bem como o banco de dados e websites das instituições; o papel desempenhado no hemisfério sul ainda é discreto, porém o Brasil tem se destacado. A entrevista em inglês está no final deste post.

ENTREVISTA

Vincent Perlerin possui PhD em Ciência da Computação com especialidade em interação homem x computador com uso de linguagem natural.

“Eu posso dizer que mesmo que eu nunca tenha estudado meteoros, acho o campo de estudos fascinante e me espanto com a quantidade de tempo e energia que as pessoas estão dedicando para tentar popularizar esse ramo da astronomia”.

No próximo artigo veremos em detalhes alguns dos eventos ocorridos em 2016 no Brasil e América do Sul, as experiências de quem fez uso da ferramenta e como a adoção e consolidação da ferramenta no país irá agregar conhecimento a astronomia nacional.

Tradução da entrevista com Vincent Perlerin:

Eduardo Santiago: Quando você começou os estudos de meteoros?

Vincent Perlerin: Nunca estudei meteoros. Eu desenvolvi o programa de relatos de meteoros da AMS e IMO bem como os sites deles. E também o novo sistema de banco de dados Visual de Meteoros da IMO graças a Mike Hankey, que é meu amigo e chefe. Mike começou a se interessar pelos estudos de meteoros depois que ele registrou uma “bola de fogo” enquanto tentava tirar uma foto de Andrômeda – toda a história está aqui.

Eduardo Santiago: Como é a adesão dos países quanto ao uso da ferramenta?

Vincent Perlerin: A ferramenta é mais popular nos EUA porque o programa começou em 2009 a partir do site AMS. O programa internacional só existe desde 2012. A popularidade do programa depende principalmente das organizações locais. Por exemplo, o formulário de relatos de bólidos é muito bem utilizado na França, graças à ReForme (Rede Francesa de Observação de Meteoro) e no Reino Unido graças a organizações como o SPA (Society for Astronomia Popular) e UKMeteor.

Eduardo Santiago: Como é a participação dos países do Hemisfério Sul, incluindo o Brasil?

Vincent Perlerin: Recebemos muito poucos relatos de países do hemisfério sul, mais do Brasil (graças a Exoss).

Eduardo Santiago: O que esperar para os próximos meses? Alguma atualização da ferramenta?

Vincent Perlerin: Estamos atualmente trabalhando em um novo programa que ligará os relatos visuais a uma rede de câmeras. Atualmente, estou desenvolvendo uma API que permitirá ligar automaticamente um evento a detecções de câmera. Quando tiver tempo, eu também gostaria de melhorar o formulário de relatos de bólidos – especialmente para a velocidade e a magnitude estelar. Eu tenho ideias muito boas sobre o que precisa ser feito …. Eu só preciso de tempo para fazê-lo.

Referências:
 imo.net
 ams database  amsmeteors.org
 bolido.exoss.org
 exoss.org

Texto e imagens: Eduardo Placido Santiago  Edição: Luciana Fontes

Revisão: Marcelo De Cicco


INTERVIEW VINCENT PERLERIN

Eduardo Santiago: When did you start the meteor studies?

Vincent Perlerin: I’ve never studied meteors. I’ve developed the AMS Fireball program, the AMS Website, the IMO Website and the IMO new Visual Meteor Database system thanks to Mike Hankey who’s my friend and boss. Mike started to get interested in the field after he caught a fireball while trying to take a photo of Andromeda – the whole story is here: http://www.mikesastrophotos.com/mdm/.

Eduardo Santiago: How is the adhesion of the countries regarding the use of the tool?

Vincent Perlerin: The tool is more popular in the US because the program started in 2009 from the AMS Website. The international program only exists since 2012. The popularity of the program mainly depends on the local organizations. For instance, the fireball report form is pretty well used in France thanks to ReForme (the French Network for Meteor Observation – http://www.reforme-meteor.net/) and in the UK thanks to organizations such a SPA (Society for Popular Astronomy – http://www.popastro.com/) and UKMeteor (https://ukmeteornetwork.co.uk/).

Eduardo Santiago: How is the participation of the countries of the Southern Hemisphere including Brazil?

Vincent Perlerin: We receive very few reports from countries of the southern hemisphere but from Brazil (thanks to Exoss).

Eduardo Santiago: What to expect for the next few months? Any tool updates?

Vincent Perlerin: We are currently working on a new program that will link the visual reports to a network of cameras. I’m currently developing an API that will allow to automatically link an event to camera detections. When I’ll have the time, I also would like to improve the fireball form – especially for the velocity and the stellar magnitude. I have pretty good ideas on what needs to be done… I just need the time to do it.

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