O Primeiro Projeto Científico no processo de operação em observação e caracterização de NEOs no Brasil

Impacton-OASI
Impacton-OASI em Itacuruba-PE

 

O IMPACTON é uma Iniciativa de Mapeamento e Pesquisa de Asteroides nas Cercanias Terrestres_ do Observatório Nacional. Pertencente ao mesmo, tem por fins fortalecer o acompanhamento e caracterização de NEOs (Near-Earth Object) de origem asteroidal ou cometária, em risco ou não de colisão com a Terra, e se estende para a ampliação de pesquisa científica no Brasil em cooperação com grupos internacionais. Está implantado no Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica (OASI)-PE.

Inicialmente, tendo em vista as necessidades técnicas da concretização do projeto, foi decidido a escolha do sítio, para instalação do telescópio, requerendo um ambiente árido, com noites abertas e baixa luminosidade artificial, menos turbulência atmosférica, com baixa umidade relativa do ar no período noturno, dentre outros fatores. Dessa forma, foi convencionado para a implementação do projeto o município de Itacuruba, em pleno sertão pernambucano, onde se iniciaram as observações presenciais em 2011 ( pela equipe liderada pela pesquisadora Dra. Daniela Lazzaro). À partir de 2014 iniciaram-se  as observações remotamente, conduzidas por astrônomos nas sala de controle do Observatório Nacional, localizado no Rio de Janeiro.

Os dados são obtidos por um telescópio fabricado na Alemanha, com espelho de 1 metro de diâmetro, acoplado nele  uma câmera CCD Apoge, modelo Alta U42, com  uma roda de filtros, no sistema de Johnson e  filtros  do sistema SDSS. Uma estação meteorológica transmite as condições climáticas, assim, permitindo melhor controle das atividades observacionais do sítio.

As ações do projeto envolvem observações e estudos pormenores de determinações das órbitas dos objetos nas imediações da Terra, além de suas propriedades rotacionais e superficiais, e possível avaliação nas escalas Torino e Palermo . Essas escalas, por sua vez, representam a probabilidade de risco de impacto e energia, estimando gradativamente o nível de periculosidade dos NEOs, sendo que a diferença entre ambas é que a primeira foi criada para comunicação pública, e tem graduação de 0 (sem risco de colisão) a 10  (colisão certa e catástrofe global), enquanto a segunda, de Palermo, é do tipo logarítmica (base 10), utilizada por especialistas para quantificar o nível de preocupação com mais detalhes.

Os métodos de pesquisa se baseiam na caracterização das diversas propriedades físicas de NEOs.  Além disso, a ciência de ponta desenvolvido no projeto IMPACTON permite o aprimoramento e desenvolvimento de tecnologias e softwares, e o avanço em pesquisas e produções científicas pioneiras de vanguarda no Brasil.

OBJETOS MAPEADOS

Mais de 300  objetos já foram mapeados até o momento. É importante referenciar a parceria com o Observatório Astronômico de Los Molinos (OALM), do Uruguai, onde em conjunto com a equipe do Instituto Nazionale di Astrofísica (INAF) em Roma, Itália, são realizadas diversas análises dos objetos observados no OASI-PE. Além da colaboração ao projeto NEOShield-2, da União Europeia. Esses dados do IMPACTON, posteriormente, são publicados no Minor Planet Center _  banco de dados mundial que é responsável pela designação de corpos menores no sistema solar, coleta, computação e disseminação de órbitas astrométricas, da União Astronômica Internacional (IAU).

Deve-se levar em consideração que os registros podem ser objetos de estudos contínuos, seja de programas internacionais ou em qualquer  âmbito científico, como foi o caso das imagens do asteróide 2016 RB1 obtidas no OASI no dia 7 de setembro de 2016, que foram estudadas pela Agência Espacial Européia (ESA). Esse passou apenas a cerca de 34.000 km de altitude da Terra, perto dos satélites de telecomunicação, área conhecida como geoestacionária, e foi percebido só com 24 horas de antecedência.

PARCERIA COM A EXOSS

O projeto também atua em parceria com a EXOSS, rede nacional de monitoramento de meteoros, constituída por astrônomos profissionais e amadores (PRO-AM), sem fins lucrativos, que, da mesma forma, objetiva monitorar o céu do hemisfério Sul, tendo como meta científica a caracterização de órbitas de meteoros – pequenos corpos que adentram na atmosfera terrestre diariamente, sendo eles de origem NECs e NEAs, classificando-os em sua natureza e origem por meio de estudos astrométricos e astrofísicos, o que complementa a extensão deste projeto em suas finalidades.

Decorrente a parceria, uma câmera EXOSS foi instalada no OASI em 2016, com apontamento para a estação KFD de Arapiraca-AL, fazendo paralaxe, ou pareamento com esta, sendo esse um requisito de melhor qualidade para obtenção e análise dos dados.

OUTRAS ATUAÇÕES NO OASI

Explanando um pouco mais as atuações no OASI, vale ressaltar que em 2008 a Coordenação de Geofísica (COGE-ON) fez nas imediações do OASI a instalação de uma estação gravimétrica, de uma estação magnética, determinação de azimutes geográficos com giroscópios, perfis de magnetometria ao redor do sítio, entre outros trabalhos detalhados no site do IMPACTON-ON.

Por meio dos aspectos apresentados, observa-se relevancia da ciencia planetária produzida no Brasil, nos colocando a patamar mundial em pesquisas sobre os NEOs. Assim somos capazes de construir  dados e informações relevantes para asseguração da probabilidade de riscos de choques de impactos de asteroides próximos a Terra, apresentando muitos resultados em pesquisas, além do mais, este possibilita o fortalecimento da atuação do ON com a ampliação de suas atividades em outras regiões do país, expandindo tal ciência também na cooperação de grupos de pesquisas internacionais. E entre tantos méritos se estende o projeto a avançar.

Fontes: IMPACTON, CNEOS.

Edição: Kecia Silva

 

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