Como posso reconhecer um meteorito, e onde eu deveria procurar por eles?

O conceito clássico de meteorito é o de uma rocha preta e pesada. Esse estereótipo é verdadeiro em alguns casos, porém muitos, muitos meteoritos se parecem bastante com as mundanas rochas terrestres. Elas só irão atrair sua atenção por serem diferentes de todas as outras rochas ao seu redor.

Para entender a aparência de um meteorito no chão, primeiro devemos examinar a distribuição numérica dos três maiores tipos de meteoritos. Das classes conhecidas de meteoritos (combinando os obtidos após quedas observadas e os achados em solo):

  • Rochosos (aerólitos) representam aproximadamente 69%;
  • Metálicos (sideritos) representam aproximadamente 28%;
  • Mistos (siderólitos) representam os 3% restantes.

Primeiramente, se um meteorito é encontrado facilmente após sua queda, a maioria exibirá uma superfície escurecida, chamada de crosta de fusão. Essa crosta de fusão é um souvenir da ablação causada pela rápida entrada do meteorito na atmosfera. Dependendo da composição do meteorito, a crosta de fusão será vítrea ou simplesmente abaulada. Os metálicos ganharão uma crosta de fusão que contém magnetita, levando à aparência de aço recentemente fundido.   2tb-fireball-master768

Imagem: Larry Atkins

Uma vez que o meteorito está na superfície, os processos normais de intemperismo que agem nas rochas terrestres estarão erodindo os meteoritos também. A crosta de fusão sofrerá intemperismo, e meteoritos rochosos apresentarão coloração num tom marrom claro. O intemperismo químico, ou oxidação, também atacará o meteorito. Metálicos rapidamente apresentarão ferrugem. Rochosos perderão a crosta de fusão completamente. Água chegará ao interior, alterando quimicamente os minerais. Intemperismo mecânico, por congelamento, ação do Sol ou vento reduzirão o meteorito mais ainda. Esse é o motivo pelo qual os meteoritos mais antigos encontrados são metálicos, pois são os mais resistentes a todos esses processos.

bluarowLeia também: Com que frequência ocorrem as quedas de meteoritos?

A maioria dos candidatos a meteoritos, pelas porcentagens acima, são rochosos, e a atenção do descobridor será atraída pelo contraste de aparência com relação às rochas ao redor. A identificação final de um meteorito rochoso requer testes químicos que vão além do objetivo deste artigo.

Meteoritos metálicos são frequentemente reconhecidos pelas formas que apresentam. A fusão da parte externa do corpo por vezes fará com que meteoros cheguem à superfície na forma de esculturas fantásticas. Anéis completos e segmentos de arcos já foram encontrados. Os metálicos chegarão esburacados, e as partes da liga metálica que possuem temperatura de fusão mais baixa serão extraídas pelo calor e pressão. Ocasionalmente apresentarão pontas afiadas ao redor dos buracos, resultado da ablação. Identificação positiva de um metálico requer esmerilhamento e tratamento com ácido que, novamente, foge ao escopo deste artigo.

Qualquer pessoa com interesse em encontrar meteoritos deveria visitar algum museu de meteoritos com uma coleção, para ver não só os exemplares mais espetaculares dali, mas também os mais “ordinários” da coleção. Através da análise de várias specimens, o caçador ganhará um bom entendimento das várias aparências que um meteorito pode ter.

As melhores áreas para caçar meteoritos são as mais planas, abertas e áridas, normalmente com fundo mais claro (como regiões desérticas). Essas áreas são as que apresentam menor taxa de intemperismo mecânico e químico, preservando o meteorito por mais tempo. Alguns meteoritos metálicos e mistos já foram achados em desertos mais de 10 mil anos após suas quedas. Regiões áridas normalmente oferecem grande vantagem visual graças à relativa falta de vegetação ou acúmulos de água, assim como pelo bom contraste de um chão mais claro como pano de fundo para as buscas.

Outras ótimas áreas para caçar meteoritos (apesar de menos prático para a maioria das pessoas) são as regiões da Terra cobertas de gelo, como Groenlândia e Antártica. O gelo oferece o maior grau de preservação possível para um meteorito após sua queda, além do alto contraste de fundo, e poucas rochas terrestres para atrapalhar a busca. Muitos dos meteoritos usados hoje para pesquisa foram encontrados em expedições pelo Ártico.

Para as pessoas sem acesso a um deserto árido ou geleiras continentais, talvez o melhor lugar para praticar a caça de meteoritos seja um campo arado como em fazendas, principalmente após uma chuva. Índios americanos frequentemente usam essa técnica quando buscam por pontas de setas para caça. Fazendeiros vêm arando muitos dos mais famosos meteoritos encontrados na história. Meteoritos metálicos são os mais facilmente reconhecidos e os mais frequentemente encontrados. Rochosos são mais difíceis de se reconhecer e de diferenciar de rochas terrestres, assim como blocos erráticos.

A maioria dos meteoritos, incluindo as variedades rochosas, contém quantidades de ferro (Fe) e níquel (Ni) suficiente para torná-los paramagnéticos. Caçadores de meteoritos muitas vezes usam detectores de metais, ou ímãs extremamente fortes presos a pedaços de madeira (como bengalas), para guiá-los em suas buscas. Meteoritos são conhecidos por literalmente “pularem” do solo na presença de um forte ímã.

5Vi um meteoro muito brilhante. Alguém mais viu? Para quem devo comunicar isso?

A International Meteor Organization coleta relatos de fireballs do mundo todo para serem utilizados por nós e outras organizações. Aqueles que viram um meteoro brilhante são incentivados a nos comunicar. Se múltiplos avistamentos de um único evento puderem ser agrupados, às vezes é possível determinar a trajetória verdadeira do objeto em questão.

Se por acaso ver um desses momentos memoráveis, pedimos que relate-o para a International Meteor Organization, lembrando do maior número de detalhes possível. Isso inclui brilho, comprimento no céu, cor e duração. É muito útil que o observador note mentalmente o ponto de início e término do fireball (bola de fogo) em relação à constelação de fundo, ou a direção da bússola e a elevação angular acima do horizonte.

Saiba mais sobre a terminologia dos meteoros.

Fonte: AMS American Meteor Society
Tradução: Leonardo Sattler

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