Como é feita a nomenclatura das chuvas de meteoros?

Antes da oficialização de regras de nomenclatura, reconhecidas pela IAU, em sua Assembleia Geral do ano de 2006 (Jenniskens, 2007b) o processo de atribuição de nomes de um novo radiante ou chuva era feito sem normas claras. O costume era rotular-se o radiante de acordo com o nome da constelação de sua localização, sem previsão para exceções, sendo pouco criteriosa e causando confusão. As novas regras seguem critérios bem definidos, evitando problemas técnicos como no caso de radiantes localizados em zonas limite entre duas constelações.

Até o ano de 2005 a própria IAU não demonstrava grandes preocupações relativas dos nomes de radiantes. Em 2006, entretanto, foi estabelecida uma força-tarefa que faria um estudo de diretrizes e regras de padronização, com a responsabilidade de construir uma listagem de chuvas oficiais, a ser publicada na reunião seguinte da Assembleia da IAU, em 2009, na cidade do Rio de Janeiro. Assim a força tarefa definiu os seguintes passos:

  1. Chuva recém descobertas e as já conhecidas deveriam ser descritas na literatura, apenas com o nome IAU, número e código;
  2. A IMO (International Meteor Organization) tem o papel de coordenar os relatos de novas chuvas e facilitar a inclusão de chuvas que são identificadas por astrônomos amadores;
  3. Chuvas que satisfazem um critério de validação passariam a ser incluídas na listagem de chuvas definidas e aceitas oficialmente na próxima reunião da IAU. Sendo daí em diante, conhecida por seus nomes oficiais e a descoberta anunciada. Os critérios de validação de uma nova chuva seguem as orientações e modelos aceitos pela literatura especializada mais atual;
  4. Depois de serem publicadas, cada nova chuva será adicionada a lista de trabalho (“Working List”);

LISTA DE TRABALHO DA IAU

A “lista de trabalho”, mantida e alimentada pela força-tarefa até o ano de 2009, é constituída da seguinte forma:

  1. Chuvas com o nome da constelação que contenha seu radiante, usando a forma possessiva do latim da constelação usando a declinação “id” ou “ids”;
  2. Na dúvida, a posição do radiante, à época do pico da chuva (no ano da descoberta), deve ser escolhida;
  3. Para distinção entre chuvas da mesma constelação, os seguintes passos devem ser cumpridos;

a. A chuva deve ter o nome da estrela mais próxima, com sua letra grega ou romana (em casos excepcionais o número de Flamsteed é usado), da seguinte forma: “η- Lyrids”, “η- Andromedids”.
b. O nome do mês (meses) podem ser adicionadas: May Lyncids, September-october Lyncids.
c. Para chuvas com o radiante em elongação menor que 32º do Sol deve ser adicionada o termo “Daytime”, antes do nome da chuva, por exemplo: Daytime-Arietids, Daytime April-Piscids.

4. Ao se adicionar “South” ou “North”, a referência é ao ramo de um único fluido de meteoroides, ambos ramos estão ativos pelo período de tempo. Tais radiantes são localizados ao Norte ou ao Sul do plano da Eclíptica.
5. Chuvas que se deslocam através de duas constelações podem ter o nome das constelações, respectivas, em ordem sucessiva usando o símbolo ”-“, por exemplo, Librids-Luppids.
6. Nomes compostos para a chuva são permitidos, p.ex.: Northen Daytime ω Cetids.

Após a Assembleia Geral da IAU, de 2009, a força-tarefa passou a se chamar de Grupo de Trabalho da Nomenclatura de Chuvas de Meteoros (“Working Group on Meteor Shower Nomenclature”) tendo proposto a primeira listagem definida de chuvas de meteoros com seus nomes oficiais e aprovada, pela primeira vez.

Hoje, a listagem completa, que pode ser conferida no site da IAU, é composta da seguinte forma:

i. A listagem de chuvas oficiais com 112 radiantes reconhecidos;

ii. A listagem “working list”: que são as chuvas publicadas na literatura, e as que foram submetidas, mas ainda não publicadas. Essa listagem recebe o rótulo “pro tempore”, que é removido após sua publicação. Se a submissão não for publicada dentro de dois anos, ou no caso de invalidação da descoberta, o radiante será permanentemente retirado do banco de dados do MDC/IAU.

iii.  Lista de grupos de chuvas, denominadas de complexos, que são chuvas que podem ser originadas do mesmo corpo parental.

iv.  Listagem de chuvas removidas.

O MDC/IAU – Meteor Data Center da IAU, funciona no Instituto Astronômico da Academia Eslovaca de Ciências, sob a direção da divisão F (Sistemas Planetários e Bioastronomia da União Astronômica Internacional (IAU). Atualmente o MDC também é responsável em conjunto com o Grupo de Trabalho de Nomenclatura de Chuvas de Meteoros da Comissão F1 (Meteoros, Meteoritos, e Poeira Interplanetária).

Edição: Marcelo De Cicco

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