Análise preliminar do forte estrondo em São Paulo

HISTÓRICO DO EVENTO

Na manhã de 09 de janeiro de 2016, o associado da Exoss, Eduardo Santiago fez um relato no Facebook, de um forte estrondo, seguido de outros dois em menor intensidade ocorrido as 11:10 am (13:10 UTC) na região de São Sebastião-SP. Em seguida o estudante Ramon Mazan em Campinas confirmou ter ouvido o mesmo. Os associados da Exoss foram comunicados e postamos um alerta em nossa página para que os relatos a respeito fossem divulgados, e imediatamente o astrônomo amador Denis Zoqbi também confirmou o estrondo. O associado Julio Lobo do Observatório Municipal de Campinas começou a receber muitos contatos de testemunhas na cidade de Campinas, e iniciamos o processo de análise dos relatos recebidos. Este processo ainda está em andamento, visto que há muitos relatos falsos ou sem relação direta com o evento. Verificamos informações de estrondos em três horários distintos na região, que estão sendo selecionados para análise. No entanto, estamos priorizando a análise o evento das 11:10 am, por ter um número maior de relatos similares e com informações mais consistentes.mapa versao 2


Mapa preliminar das testemunhas do estrondo em São Paulo – atualizado 10/01 às 17:00 pm (este mapa poderá sofrer alterações ao longo das investigações do evento)


A cobertura do evento foi noticiada pelos jornais:

ESTUDO DO EVENTO

O evento de 09 de janeiro de 2016, relatado por centenas de testemunhas na região de Campinas, São Paulo capital e litoral, caracterizou-se como um forte estrondo, seguido de dois sequenciais mais baixos, nos revela um interessante fenômeno, possivelmente o denominado estampido sônico, aquele que podemos presenciar quando uma aeronave ultrapassa a velocidade do som – ondas de choque se propagam nas imediações ocasionando susto e espanto (por vezes quebrando janelas, também).

A seguir, mostramos  simulações computacionais de propagação de ondas de choque no ar, como as que provavelmente ocorreram ontem.sonicNessa demonstração em 3D, mostramos a fonte sonora saindo de velocidade abaixo do som e depois superando a Barreira do Som. As conchas concêntricas representam as ondas de choque (aqui em número de 10, para fins de demonstração, mas podem ser muito mais ondas), que se propagam para trás da fonte, na superfície do cone de Mach. Simulação modificada por Marcelo De Cicco. Fonte: [5,6]

onda sonora

Quando uma fonte sonora viaja (Vsource) mais rápida que o som (Vsound) que ela produz o  fenômeno estampido sônico, no caso desta simulação a fonte viaja a 1,4 vezes a velocidade do som (ao nível do mar, à temperatura de 25 graus centígrados a velocidade do som no ar é de aproximadamente 1.246 km/h.). O estalido da ponta de um chicote também causa esse fenômeno, quando ela desloca-se mais rápida que o som  produzido no ar [6]. Animação produzida pelo software Mathematica, fonte: [4]

O evento destacado aqui em São Paulo encontra paralelo (embora de menor amplitude de alcance) no caso ocorrido no final do ano de 2014, em 29 de novembro, em condados  na Inglaterra, e nas cidades de Buffalo, Cheektowaga, Clarence, dentre outras nos Estrados Unidos, conforme figura abaixo, onde várias detonações foram ouvidas [1,2,3]. Muitos dos relatos de cidadãos às autoridades locais e twitters informaram a ocorrência de estampidos sequenciais, de grande magnitude, assustando a população. Algumas teorias de conspiração vieram à tona, como testes secretos de uma nova tecnologia aeronáutica, porém, o mais provável que tenha mesmo uma origem natural, um meteoro explodindo por sobre o Atlântico.

sonic

Mapa mostrando os lugares onde foram ouvidas as explosões sônicas, na Inglaterra e nos EUA. Fonte: [3].

Colocamos, a seguir, o som de alguns estampidos sônicos de origem artificial e outra de origem natural (um meteoro explodindo na alta atmosfera). O leitor consegue distinguir diferenças entre os dois tipos de fontes?

FONTE ARTIFICIAL DE SOM

FONTE NATURAL DE SOM (meteoro Chelyabinsk)

 

Conforme explicado nesta reportagem, choques de ondas artificiais produziriam explosões continuas, sem grandes variações, enquanto que as de origem natural produziriam estampidos irregulares – como a de choque de um meteoro na atmosfera, desintegrando-se ou mesmo a reentrada de lixo espacial em alta velocidade.

Ainda não podemos afirmar a origem espacial dessas explosões sobre a região de Campinas, Limeira, São Paulo e São Sebastião, mas um bom indício seria a detonação de um meteoro, penetrando a velocidades supersônicas na atmosfera, porém faltam imagens, fotos de rastros, vídeos etc., para corroborar essa hipótese. Outras possibilidades também não devem ser descartadas, como o voo supersônico de algum caça, reentrada de lixo espacial ou outro fenômeno atmosférico pouco comum.

Pedimos que os relatos das testemunhas sejam encaminhados para a Exoss através do email exoss@exoss.org, MeteorZap 12 98181 7597, ou com Julio Lobo para os residentes em Campinas e região. 

Fontes:

  1. Daily Mail
  2. Catholic Online
  3. Daily Mail 2
  4. Fouriest Series
  5. Wolfram Project
  6. Halliday, D., Resnick J.W., 2009. Fundamentos de Física, volume 2, cap. 17, 8a ed. LTC.

Edição: Marcelo De Cicco

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