Análise do fireball registrado em São Paulo e Minas Gerais

Em 07 de maio de 2018, às 20:15:48, cruzou nos céus do oeste Paulista um bólido de grandes proporções, causando alvoroço entre as pessoas que testemunharam o evento. Uma das câmeras do projeto EXOSS conseguiu capturar este momento, a OMC4, que fica baseada no Observatório Municipal de Campinas Jean Nicolini, tal vídeo pode ser visto neste link, além de outro vídeo, divulgado no canal de um morador de Campinas, Sérgio Luis, através de uma câmera de segurança.

A partir dos relatos de várias testemunhas, contando  até a data de publicação dessa postagem com 58 registros e com os videos analisados por nossa equipe, foi possível reconstruir a trajetória estimada deste bólido, usando a ferramenta “reporte um bólido”, conforme demonstrado na figura abaixo.

trajetoria estimada meteoro divisa sp mg
Mapa da região de avistamento do bólido, o quadrilátero mostra a direção do fenômeno avistado, indo para o sentido Norte, próximo a Uberaba.

Duas câmeras distintas capturaram o momento de brilho do meteoro:

  1. a imagem da esquerda mostra uma imagem composta da câmera OMC4 e,
  2. a da direita o mesmo bólido capturado pela câmera se segurança, na cidade de Campinas.

Usando as imagens de vídeo e os relatos do “Reporte um Bólido”, conseguimos estimar a trajetória do objeto que começou o seu brilho acima da região depois da cidade Barretos, na direção Norte e findou sua trajetória luminosa aérea a cerca de 50 km de Uberaba, a Oeste dela.

Nossa análise, mais detalhada, mostra perfis que ajustam-se adequadamente ao que foi observado e registrado em vídeo, conforme as imagens abaixo.

vista do omc meteoro divisa mg e sp
Vista em perspectiva do Observatório de Campinas, ao fundo a trajetória do bólido.
vista panôramica omc meteoro sp mg
Vista  aérea do Observatório OMCJN, onde se pode perceber a trajetória descendente do meteoro.
Vista panorâmica aproximada da câmera de segurança de Sergio Luis/Meire,  ao fundo a trajetória de queda do bólido.

Este fenômeno sofre considerável aumento de brilho ao longo da trajetória e até o clarão terminal, não registrado completamente pela câmera da Exoss no OMCJN. A variação de brilho na imagem foi causada por árvores no horizonte do campo de visão da câmera.

Conforme os relatos foram chegando,  foi possível que estimássemos a região de queda de potencial meteorito, caso tenha ocorrido, conforme mapa abaixo. Entretanto, trabalhamos com duas hipóteses plausíveis de origem do bólido:

  • asteroidal, neste caso, é possível que haja fragmentos meteoríticos caídos na região de queda apontada,
  • ou cometária, neste caso praticamente inviabiliza-se a sobrevivência de qualquer fragmento, devido a sua composição de baixa densidade, não resistindo a pressão mecânica e ablação intensa, por conta da sua alta velocidade de penetração em nossa atmosfera.
O símbolo (pino vermelho) mostra o possível ponto de impacto, em caso da hipótese de queda de um fragmento do bólido.
Trajetória combinada do campo de visão das duas câmeras com o possível ponto de impacto a partir das imagens e dos relatos no Relate um Bólido

Devido a grande divulgação do evento na mídia, há ainda relatos de testemunhas sendo enviados. Desta forma faremos uma nova análise ao término dos relatos com maior detalhamento.

Imagens: Ferramenta Report Fireball, Estação Exoss OMC, Video Sergio Luis
Análises dos relatos: Eduardo Santiago
Edição e análise do evento: Marcelo De Cicco

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