A História do Monitoramento de Meteoros no Brasil

A atividade de monitoramento de meteoros no Brasil está em ascensão, com a forte participação de astrônomos amadores envolvidos, o que caracteriza cada vez mais a ciência cidadã, onde a colaboração destes amadores agrega valor à ciência e contribui para os estudos conduzidos por profissionais astrônomos. A seguir, um relato histórico resumido, de como essa atividade se iniciou no país.

1. A História do Monitoramento de Meteoros no Brasil

O relato mais antigo e importante sobre a atividade de monitoração de meteoros no Brasil ocorreu em 2006, quando a pesquisadora e curadora de meteoritos do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Dra. Maria Elizabeth Zucolotto, instalou uma câmera all-sky na cidade do Rio de Janeiro. O objetivo da Dra Zucolotto, uma das principais autoridades em meteorítica no Brasil, era incentivar a criação de uma rede de câmeras allsky para o registro de bólidos e posterior recuperação de meteoritos.

Em 2008, incentivados pelo trabalho da Dra. Zucolotto em um encontro de astronomia no pais chamado ENAST, um grupo de astrônomos amadores do CASP  (Clube de Astronomia de São Paulo), liderado pelo astrônomo amador André Izecson, instalou uma rede de duas estações de câmeras allsky. Sendo a primeira instalada em Campos do Jordão/SP e a segunda estação na cidade de São Paulo/SP.  No mesmo ano foi instalada uma câmera all-sky no Observatório Sonear em Oliveira-MG por Cristóvão Jacques.  Também em 2008, esse grupo de pessoas, juntamente com o astrônomo amador Antônio Coelho, publicaram o primeiro artigo sobre redes de meteoros denominado “Criação de uma rede brasileira de câmeras de vídeo automáticas para observação de meteoros” no 8 Encontro Nacional de Astronomia (ENAST)  [1] com a proposta de criação de uma rede nacional que seria coordenada pela REA [2]. A proposta dessa rede já estava voltada para o estudo de meteoros e possíveis radiantes.

Mesmo com a iniciativa pioneira deste grupo, apenas poucas cameras all-sky a serem citadas a seguir foram instaladas nos anos subsequentes. Em 2009, instalada na capital federal Brasília-DF, por Marcelo Domingues do CASB. Em 2009, instalada na cidade de São Paulo- SP por Denis Zoqbi. Em 2011, foi colocado em operação uma nova estação em Brasília por  Carlos Augusto di Pietro Bella. Naquele ano foi criado um outro projeto de monitoração de meteoros em Campos dos Goytacazes pelo CALC (Clube de Astronomia Louis Cruls). Finalmente, em março de 2013, o astronomo amador Marco Mastria iniciou alguns testes utilizando uma camera all-sky instalada em seu observatório para realização de estudos esporádicos de meteoros. Neste mesmo periodo, Eduardo P. Santiago iniciou testes com a utilização de uma câmera planetária adaptada com lente de grande ângular e software de registros primários.

Para resumir, foram instaladas as seguintes câmeras para estudo de meteoros em ordem cronológica:

  1. 2006 – Rio de Janeiro/RJ – MN – primeira all sky camera – Maria Elizabeth Zucolotto
  2. 2008 – Campos do Jordão/SP – CASP – Andre Izecson
  3. 2008 – São Paulo/SP – CASP – André Izecson
  4. 2008 – Oliveira-MG – Cristovão Jacques
  5. 2009 – Brasilia/DF – CAsB – Marcelo Domingues
  6. 2009 – São Paulo/SP – CASP – Denis Zoqbi
  7. 2011 – Brasilia/DF – Carlos Augusto di Pietro Bella
  8. 2012 – Campos dos Goytacazes/RJ – CALC Clube de Astronomia Louis Cruls
  9. 2013 – Mogi das Cruzes/SP – Marco Mastria
  10. 2013 – São Sebastião/SP – Eduardo P. Santiago

Apesar do importante pioneirismo que deve ser destacado e que pavimentou o surgimento de uma rede, essas câmeras ainda não operavam de maneira organizada e integrada; não permitindo, por exemplo, a realização de análises unificadas de órbitas dos meteoros, detecção de novos radiantes e contribuindo, efetivamente, para a geração de dados e conhecimento científico.

2. Início da Rede Brasileira de Observação de Meteoros

Em meados de 2013 os astrônomos amadores André Moutinho, Carlos Augusto di Pietro Bella e Eduardo Placido Santiago iniciaram contato com o propósito de criação de uma rede de observação de meteoros no Brasil. Foram realizadas muitas tentativas com diversos equipamentos.

Em dezembro de 2013, Eduardo Placido Santiago procurou a UKMON (Rede de monitoramento do Reino Unido) através de Richard Kacerek, com o objetivo de obter informações sobre a operação da rede britânica. Através deste contato, foi encaminhado para a EDMOND (Rede Européia) para ajudá-lo a dar forma a iniciar efetivamente uma rede no Brasil para levantamento das chuvas e radiantes de meteoros. Desta maneira, foi iniciada então uma parceria entre a rede brasileira com a EDMOND, através de Roman Piffl e Jakub Koukal. Jakub se tornaria o maior colaborador operacional da rede que se criaria.  Inicialmente a denominação desta rede era REMIM. O uso do Facebook para a divulgação da rede foi iniciado nesse período pelo Eduardo com a criação de um grupo denominado REMIM.

Nesse período o astrônomo amador e pesquisador de meteoritos Andre Moutinho, percebendo o importante esforço e avanço dado pelo Eduardo com as redes europeias e lembrando  iniciativas passadas, criou um outro grupo no Facebook com o objetivo de agregar todos os possíveis interessados na criação da rede nacional, convidando diversos astrônomos amadores através de um convite-apresentação. Assim outros interessados na área como Marcelo Domingues, Cristovão Jacques e Marco Mastria, que já haviam iniciado atividades de monitoração de meteoros foram integrados no grupo.  Esse grupo no Facebook viria a se tornar o atual grupo em uso.

A primeira estação desta nova fase foi instalada na cidade de Nhandeara-SP de Renato Cassio Poltronieri com o auxílio de Eduardo Placido Santiago. O primeiro pareamento de meteoros de estações da rede que iniciava ocorreu em 25 de janeiro de 2014, após o estabelecimento da estação em Mogi das Cruzes – SP de Marco Mastria, que se juntou à estação de São Sebastião de Eduardo Santiago. A primeira triangulação brasileira foi a partir destas estações. [3].

O aparecimento de um segundo par de estações se deu com reativação da camera all-sky da estação Sobradinho de Marcelo Domingues e da estação já ativa em Samambaia de Carlos Augusto di Pietro Bella, ambas no Distrito Federal. Estas duas estações registraram o seu primeiro pareamento em 29 de janeiro de 2014.

O uso de grupos no Facebook, como Remim inicialmente por Eduardo Santiago e depois por André Moutinho, passou a atuar como ponto de encontro para o desenvolvimento das atividades da rede que começava a ganhar forma através de alguns participantes para organizar os trabalhos, e com os novos integrantes passou a ser chamada de BRAMON, por sugestão de Julio Lobo. Após uma divulgação no site Apolo11.com de um bólido em 12 fevereiro de 2014, a rede alcançou uma visibilidade maior e mais operadores iniciaram estações de monitoramento. A primeira grande divulgação da BRAMON se deu em um Hangout do Astronomia ao Vivo e uma apresentação no  7º IMMA.

apolo 11

O crescimento da rede de monitoração BRAMON foi além das expectativas, com ênfase na sobreposição de áreas de estações individuais para a realização de pareamento das trajetórias dos meteoros. Dali em diante outras estações foram sendo estabelecidas, consolidando-se uma rede nacional de observação de meteoros no Brasil e integrada ao banco de dados EDMOND. Como a principal característica da rede era o voluntariado, as atividades pertinentes à organização da rede foram realizadas com o trabalho de alguns operadores nela agregados.

A seguir a lista das estações ativadas na rede em 2014, considerando o mês da primeira captura validada.

lista estacoes

A principal influência da organização Bramon foi a partir do contato com a Rede Europeia representada por seus membros Richard kacerek (UKMON), Jakub Koukal e Roman Piffl (EDMOND-CEMENT), pesquisadores ativos que ajudaram a trazer suporte técnico, doação de equipamentos e materiais de estudo sobre as capturas e análises das trajetórias de meteoros e também compartilhar o conhecimento já desenvolvido em especificações câmeras CCTVs, softwares e tutoriais.

[1] Artigo Criação de uma rede brasileira de câmers de video automáticas para observação de meteoros http://www.astrocasp.com/pesquisa. Acessado em 02/08/2015

[2] REA-Rede de Astronomia Obsevacional: http://rea-brasil.org/. Acessado em 02/08/2015

[3] Reportagem sobre o pareamento da BRAMON: http://www.apolo11.com/cometa_73p.php?posic=dat_20140214-110507.inc. Acessado em 02/08/2015

Em breve, postaremos a continuação deste histórico. Conheça também a história da Exoss.

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